Um gás inorgânico que escapa de uma válvula não faz ruído, não tem cor e não deixa vestígios visíveis. Ainda assim, ele está lá. E a pergunta operacional é sempre a mesma: qual instrumento utilizar para detectá-lo?
O monitoramento em campo de emissões fugitivas inorgânicas exige uma escolha instrumental que nunca é neutra. Cada tecnologia disponível responde a diferentes princípios de detecção, possui seu próprio campo de aplicação ideal e apresenta limitações específicas. Escolher o instrumento errado significa obter dados imprecisos.
Detector eletroquímico multigás
É um dos instrumentos mais utilizados em atividades de inspeção em campo. Mede a concentração de compostos inorgânicos por meio de sensores intercambiáveis e específicos para cada gás. Um único dispositivo portátil pode ser configurado para detectar amônia, sulfeto de hidrogênio, hidrogênio e outros compostos, bastando substituir o sensor instalado.
Seu principal ponto forte é a localização precisa do vazamento. Operando diretamente próximo ao componente, permite identificar com exatidão o ponto de emissão. É um equipamento manual, leve e adequado para inspeções sistemáticas em válvulas e flanges no contexto de programas LDAR.
Sua limitação também é clara: requer calibrações frequentes e a precisão da medição depende significativamente do composto-alvo e das condições operacionais.
Detector eletroquímico monogás
Quando a fonte é conhecida e existe apenas um contaminante a ser monitorado, o detector monogás é a solução mais direta. Projetado para medir um único composto, oferece elevada precisão para o gás-alvo em um equipamento compacto e de baixo custo.
É a escolha correta para instalações com um contaminante específico e recorrente, onde a simplicidade operacional é tão importante quanto a precisão técnica. Sua limitação é estrutural: em ambientes com múltiplas fontes potenciais de emissão, essa abordagem isoladamente não é suficiente.
Espectrômetro FTIR
O analisador por Transformada de Fourier na região do infravermelho é capaz de detectar e medir simultaneamente até cinquenta compostos inorgânicos a partir de uma única amostragem. A resposta é rápida e a precisão é elevada para uma ampla gama de gases-alvo.
É o instrumento ideal para ambientes complexos, nos quais a variabilidade das fontes emissoras torna indispensável uma análise multicomponente. Seu uso é amplamente consolidado em avaliações ambientais industriais. Entre suas limitações estão o maior peso e volume, que afetam a portabilidade em campo, além da influência das condições ambientais sobre a reprodutibilidade dos resultados.
Detector PID
O detector por fotoionização utiliza uma lâmpada UV para ionizar o gás amostrado, gerando um sinal elétrico proporcional à concentração detectada. Oferece alta sensibilidade e resposta imediata, permitindo medições pontuais diretamente no componente inspecionado.
No contexto das emissões inorgânicas, seu campo de aplicação é mais restrito quando comparado aos instrumentos eletroquímicos. A leitura é realizada com base em um gás de referência e requer a aplicação de fatores de correção para determinar a concentração real do gás-alvo. Não é um instrumento de identificação direta, pois mede um sinal e não um composto específico.
Qual escolher?
Não existe um instrumento universalmente superior. A escolha depende do tipo de instalação, da natureza dos compostos presentes, das condições operacionais e dos objetivos do programa de monitoramento. Em muitos contextos operacionais, a solução mais eficaz não é um único instrumento, mas uma estratégia de medição que integre tecnologias complementares para garantir a qualidade dos resultados.
Por meio da divisão FERP, a Carrara atua diretamente no monitoramento de emissões fugitivas inorgânicas em instalações industriais, desde a seleção adequada dos instrumentos até a quantificação das emissões de acordo com os protocolos de referência. Dessa forma, apoia seus clientes durante todo o ciclo da atividade, garantindo os melhores resultados possíveis.