Fala-se sobre elas há mais de quarenta anos, mas ainda hoje as emissões fugitivas permanecem como uma das áreas menos compreendidas — e frequentemente subestimadas — na gestão de plantas industriais.
Para entender realmente do que se trata, é útil partir de uma distinção fundamental.
As emissões industriais atmosféricas podem ser divididas, em uma primeira aproximação, em emissões canalizadas e emissões difusas. As primeiras são aquelas que passam por pontos definidos — chaminés, descargas — e que podem ser monitoradas continuamente. As segundas, por sua vez, incluem todas as liberações não canalizadas, distribuídas pela instalação e geradas por múltiplas fontes.
Dentro das emissões difusas encontram-se as emissões fugitivas, que representam um subconjunto bem definido e tecnicamente relevante.
Em termos técnicos, as emissões fugitivas são liberações pontuais e não intencionais de fluidos de processo para o meio ambiente, originadas em componentes de vedação instalados em equipamentos em operação e detectáveis por meio de técnicas instrumentais. Trata-se, portanto, de vazamentos associados a determinados “equipment leaks”, normalmente relacionados a válvulas, bombas, flanges e outros componentes de tubulação.
Sua característica distintiva é dupla: por um lado, podem ser localizadas; por outro, podem ser parcialmente medidas. E é justamente essa combinação que as torna centrais no atual contexto regulatório.
Com a evolução da legislação europeia, atualmente enquadrada na Industrial Emissions Directive (IED), o controle das emissões não se limita mais aos fluxos canalizados, mas inclui explicitamente a gestão das perdas difusas e, em particular, das emissões fugitivas. As Best Available Techniques (BAT) definem a abordagem de referência, introduzindo um princípio claro: as emissões devem ser prevenidas, monitoradas e reduzidas por meio de estratégias estruturadas e verificáveis.
Nesse contexto, a gestão das emissões fugitivas baseia-se em dois pilares operacionais.
O primeiro é o controle do que já está instalado, normalmente por meio de programas LDAR (Leak Detection And Repair). Trata-se de atividades sistemáticas de detecção instrumental de vazamentos em equipamentos, com o objetivo de identificar, quantificar e corrigir as fontes emissoras ao longo do tempo.
O segundo é a introdução de componentes projetados para minimizar os vazamentos desde a origem. Válvulas, bombas, juntas e sistemas de vedação devem ser selecionados com base em desempenhos comprovados, verificados por meio de testes padronizados e reconhecidos internacionalmente. Nesse âmbito, o conceito de “low emission” não é uma declaração, mas o resultado de ensaios de qualificação que comprovam níveis de vazamento controlados.
É a integração dessas duas estratégias — gestão do existente e qualidade das novas instalações — que define o verdadeiro objetivo: a redução estrutural das emissões fugitivas.
Nesse cenário, a Carrara posiciona-se com uma oferta completa em ambas as frentes.
Por um lado, uma ampla gama de soluções de vedação — juntas e gaxetas — qualificadas segundo normas internacionais e projetadas para aplicações de baixas emissões, capazes de garantir desempenho documentado em flanges, válvulas e bombas.
Por outro lado, por meio da divisão FERP (www.ferp.eu), a Carrara atua diretamente em atividades LDAR, apoiando os operadores na detecção, quantificação e gestão de vazamentos em plantas em operação.
Essa abordagem integrada permite enfrentar o tema das emissões fugitivas não como uma obrigação isolada, mas como um processo contínuo: da medição à prevenção, até a redução concreta das perdas.
Porque, além das exigências regulatórias, as emissões fugitivas continuam sendo um dos indicadores mais claros de quanto uma planta está realmente sob controle.